Os
filhos são feitos de amor, são feitos de poeira da estrela cadente que
acidentalmente caiu dentro de você num sopro de amor, ou num beijo caliente.
Filhos são feitos de nuvem, por isso nos ensinam a levar a vida mais leve. São
feitos de sol, iluminando nosso caminho a partir do momento que sabemos que
estão dentro da gente. O mesmo pouquinho de sol que dá a eles o brilho do
olhar.
Filhos
são feitos de confiança, de certezas incertas, de continuidade. São feitos de
pedaços nossos, pedaços da nossa família, pedaços só deles. São feitos de
manhãs, madrugadas e noites. De sono, muito sono, pouco sono e em alguns
momentos nenhum sono. Feitos de um gole de vinho tinto, de champanhe, breja ou
cachaça, vai do paladar de cada um, e é bom que esteriliza o canteiro pra
plantar a semente “filho”. Feitos de
tapas nas costas, de arrotos, de fraldas pesadas. Feitas de cabanas de pano, de
histórias de boa noite, de beijos de bom dia.
Feitos
de sonhos, de realidade, muita realidade. Feitos de dramas, de birras, de
brigas. Feitos do perdão. São feitos das canções de ninar, das lágrimas de
felicidade, de vida. Tem uma pitada de sorrisos largos, contos de fadas e
fábulas inteiras. Tropeçam no pote de ouro que fica no fim do arco-íris e já
nascem valiosos.
Alguns
são feitos de limite, outros da falta dele. São feitos de abraços, colos,
acalantos. São feitos de madrugadas em claro, de educação, de separação, de
emoção. Filhos são feitos do fruto humano, da certeza de dias melhores, da
crença na raça humana.
Do que
são feitos os filhos afinal? De um amor humano, um sopro divino, de matéria
prima. Feitos de abraços, de “nãos” de “sims” e de talvez. Do silêncio
vibrante, do sopro da vela no bolo. Nossos filhos são feitos de sentimentos,
atitudes e sonhos, alimentados por nós, amparados por nós, que crescemos com
uma miscigenação tão genuína do nosso amor, da nossa vida, enquanto temos que
aceitar, dia a dia, que eles não são nossos, mas do mundo.