terça-feira, 11 de março de 2014

Do que são feito os filhos?

                Os filhos são feitos de amor, são feitos de poeira da estrela cadente que acidentalmente caiu dentro de você num sopro de amor, ou num beijo caliente. Filhos são feitos de nuvem, por isso nos ensinam a levar a vida mais leve. São feitos de sol, iluminando nosso caminho a partir do momento que sabemos que estão dentro da gente. O mesmo pouquinho de sol que dá a eles o brilho do olhar.
                Filhos são feitos de confiança, de certezas incertas, de continuidade. São feitos de pedaços nossos, pedaços da nossa família, pedaços só deles. São feitos de manhãs, madrugadas e noites. De sono, muito sono, pouco sono e em alguns momentos nenhum sono. Feitos de um gole de vinho tinto, de champanhe, breja ou cachaça, vai do paladar de cada um, e é bom que esteriliza o canteiro pra plantar a semente “filho”.  Feitos de tapas nas costas, de arrotos, de fraldas pesadas. Feitas de cabanas de pano, de histórias de boa noite, de beijos de bom dia.
                Feitos de sonhos, de realidade, muita realidade. Feitos de dramas, de birras, de brigas. Feitos do perdão. São feitos das canções de ninar, das lágrimas de felicidade, de vida. Tem uma pitada de sorrisos largos, contos de fadas e fábulas inteiras. Tropeçam no pote de ouro que fica no fim do arco-íris e já nascem valiosos.
                Alguns são feitos de limite, outros da falta dele. São feitos de abraços, colos, acalantos. São feitos de madrugadas em claro, de educação, de separação, de emoção. Filhos são feitos do fruto humano, da certeza de dias melhores, da crença na raça humana.

                Do que são feitos os filhos afinal? De um amor humano, um sopro divino, de matéria prima. Feitos de abraços, de “nãos” de “sims” e de talvez. Do silêncio vibrante, do sopro da vela no bolo. Nossos filhos são feitos de sentimentos, atitudes e sonhos, alimentados por nós, amparados por nós, que crescemos com uma miscigenação tão genuína do nosso amor, da nossa vida, enquanto temos que aceitar, dia a dia, que eles não são nossos, mas do mundo.